História do Jiu-Jitsu

A origem do Jiu-Jitsu perde-se na noite dos tempos. É considerada uma das Artes Marciais mais antigas do mundo, onde a mitologia se mistura com a realidade!

Seria oriundo da Antiga Índia e difundido pelos monges budistas, que a desenvolveram para se defender dos bandoleiros e assaltantes que enfrentavam em suas longas peregrinações mundo afora. Desta maneira, teriam divulgado não só a Filosofia, mas também a Arte de se defender a outras culturas como o Tibete, a China, a Coréia, o Japão e outros países do Oriente.

Interessante ressaltar que o Jiu-Jitsu segue os princípios da não-violência. A Arte era praticada para se defender e dominar o agressor, através de projeções, torções, estrangulamentos e imobilizações.

No Japão, o Jiu-Jitsu encontra seu apogeu com os Samurais, classe guerreira nipônica. Exímios na Arte da Guerra, além da espada e do arco-e-flecha, eles treinavam com requinte a luta corporal.

O Jiu-Jitsu ainda se dividia em dois aspectos. O exotérico (comum, trivial) tratava de estratégias e treinos visando a preparação 􀁓sica, além da praticidade na defesa e no ataque. Já o esotérico (hermético, pouco acessível) era a face essencial da transmissão intelectual e espiritual, ensinamento destinado aos mais seletos.

O JIU-JITSU TRADICIONAL

Compreende:
- Exercícios de preparação e flexibilização;
- Posturas e deslocamentos;
- Projeções e contra-ataques;
- Chaves e torções;
- Estrangulamentos;
- Aprisionamentos e imobilizações;
- Tai-Sabaki (esquivas);
- Interceptações (entradas);
- Atemi-Waza;
- Kuatsu;
- Filosofia;
- Meditação;
- Kiai;
- Lutas sem previsão de tempo.

O JIU-JITSU COMPETITIVO OU ESPORTIVO

Tem a finalidade da prática para competições, com regras específicas para este fim, como o Judô ou propriamente o Brazilian Jiu-Jitsu.

Compreende:
- Lutas com tempo determinado;
- Disputas com normas e regras;
- Vitória baseada na pontuação;
- Promoção de faixas coloridas;
- Divisão de categorias por peso e idade;
- Os mesmos golpes do Jiu-Jitsu tradicional;
- Posições que variam para que prevaleça uma vantagem, conforme a regra.

O Verdadeiro Samurai só está apto a combater quando não tiver mais medo da morte.
O Equilíbrio é o ponto essencial do verdadeiro praticante, que deve ter a formação do Jiu-Jitsu tradicional ou clássico e também desenvolver o lado esportivo, se possível sendo um bom competidor.



INTRODUÇÃO AO JIU-JITSU NO BRASIL

Em 1908 chegam ao Brasil os primeiros imigrantes japoneses, a bordo do navio Kasato Maru.

Entre os colonos que vieram com a finalidade de desenvolver a agricultura, muitos eram praticantes e mesmo mestres de Jiu-Jitsu. Ensinavam a luta nas folgas ou após o trabalho, estendendo uma lona sobre o capim, que fazia as vezes de um dojô.

O fato marcante aconteceu em 1913, com a chegada de Mitsuyo Maeda, campeão mundial de Jiu-Jitsu. Também conhecido pelo codinome Conde Koma, nasceu em 1880 em Hirosaki, no Japão. Formou-se com o mestre Jiboku Hohei no estilo Kito Ryu Jitsu em 1900, completando seus estudos na Kodokan, criada por Jigoro Kano.

Conde Koma é conhecido como o "homem das mil lutas" e ao que parece nunca fora oficialmente derrotado. Chegando ao Brasil, fixa residência em Belém do Pará , monta um dojô e ensina inúmeros brasileiros. Dentre eles, destaca-se o franzino Carlos Gracie.

Geo Omori, irmãos Ono, Takeo Yano e Ogawa são mestres que também fazem parte dessa introdução, além dos que ficaram no anonimato, ensinando sem a pretensão de fazer história.

O JIU-JITSU EM SÃO PAULO

O Jiu-Jitsu paulista começa com a chegada dos colonos japoneses que se instalaram no interior do estado com finalidade agrícola.

Na capital, destaca-se Geo Omori, que em 1925 funda a primeira Academia de Jiu-Jitsu do Brasil, no Frontão do Brás. Omori ficou conhecido por aceitar desafios no picadeiro do antigo circo Queirolo.

Os irmãos Ono permaneceram por mais de 50 anos lecionando a inúmeros alunos, chegando a formar uma rede de academias a partir da década de 1930.

Na década de 1940 chega à capital paulista George Gracie, irmão de Carlos e Hélio Gracie, considerado o grande lutador de Vale Tudo da época.

Ele inaugura sua academia no Brás, à época um bairro nobre. Entre os matriculados estão Oswaldo Carnivalle, que leciona até hoje com seus filhos no bairro do Belenzinho, e o saudoso mestre Octávio de Almeida, que deu continuidade aos ensinamentos de George Gracie, perpetuando-os, de 1947 a 1983, ano em que faleceu.

Mestre Octávio foi um ícone na divulgação do esporte, muitas vezes sozinho, porém compenetrado no trabalho de ampliar os horizontes do Jiu-Jitsu. Em 1976, organizou o primeiro evento oficial de Jiu-Jitsu, através da Federação Paulista de Pugilismo. George Gracie também formou os mestres Nahum Rabay, Candoca e Romeu Bertho, que ainda divulgam o esporte no interior paulista.

Destacam-se também os mestres Gastão Gracie e Pedro Hemetério; este ministrou aulas na capital até 2005.

O primeiro carioca a contribuir com a evolução do Jiu-Jitsu paulista foi o mestre Orlando Saraiva, que chegou à cidade de Mogi Mirim no ano de 1976 e lá permanece até hoje formando campeões.

Em 1983, com a morte do mestre Octávio de Almeida, cessam os eventos oficiais. A inatividade permanece por sete anos. Consequentemente, o Jiu-Jitsu paulista cai no anonimato.

No ano de 1989, o professor Moisés Muradi resolve resgatar o Jiu-Jitsu paulista organizando um grande evento, unindo as poucas academias existentes na época, dando novo impulso à modalidade.

Em 1991, Muradi funda de fato a Federação Paulista de Jiu-Jitsu e dedica a criação da entidade à memória do mestre Octávio de Almeida. Em 1997, ele reorganiza o Jiu-Jitsu paulista junto com professores renomados que desejavam disciplinar o esporte e dar o destaque necessário a esta Arte Marcial. É fundada a FESP Jiu-Jitsu (Federação do Estado de São Paulo de Brazilian Jiu-Jitsu), considerada hoje a maior Federação Estadual do Mundo.

MENÇÃO HONROSA

Não poderíamos deixar de enobrecer aqui um dos melhores professores de Jiu-Jitsu, senão o melhor de todos os tempos: Octávio de Almeida, alma que inspirou e exalou esta Arte por mais de 50 anos.

Mestre Octávio começou na década de 1930 com os irmãos Ono e se aperfeiçoou com o professor George Gracie. Ensinava a modalidade de maneira expressiva e impressionantemente carismática, tornando inesquecíveis os momentos vividos com ele num dojô. Chegou a ter aproximadamente 400 alunos em diversos períodos, principalmente crianças. Foi o primeiro a sistematizar o ensino infantil. Muitos dos que passaram pelas suas mãos hoje representam o verdadeiro papel de homens na sociedade. Honestidade, perseverança, otimismo, lealdade, respeito, altruísmo e cavalheirismo eram palavras constantes em seu vocabulário na formação de um lutador.

Mestre Octávio faleceu em 17 de janeiro de 1983, aos 65 anos, deixando uma vasta lacuna de saudade. Mas deixou também uma legião de fãs e instrutores iniciados por ele e que atualmente ministram aulas, como Oswaldo Carnivalle, Otávio de Almeida Junior, Luiz Gonzaga, Roberto Lage, Mestre Octávio de Almeida 25 Ali Muradi, Moisés Muradi, Marcio Abbiati, Jean Carlo Marino, Roberto Weinpell, Hiroshi Nogami, José Eugenio Bobadilha, Sergio Gozzo, entre outros. Os netos do mestre, Fábio e Xalo de Almeida, são promissores instrutores.

A homenagem se estende ao Sr. Ismael Muradi (in memorian), e Teresinha Silveira Muradi, pais de Moisés, Ali, Elias, Leila e Nádia, todos praticantes de Jiu-Jitsu, alguns dedicados à arte de ensinar.

O Sr. Ismael, comerciante batalhador e entusiasta do Jiu-Jitsu, estimulou a prática da modalidade na cidade de Mogi Mirim (SP), auxiliando o mestre Orlando Saraiva em inúmeros contatos, obtendo o titulo de Diretor de Jiu-Jitsu.

A amizade estendida proporcionou a seus filhos praticarem o esporte já na capital paulista, sob a tutela do também saudoso mestre Octávio.

Dona Teresinha, especialista em caligrafia gótica, permitiu a muitos praticantes da modalidade terem seus diplomas por ela caligrafados manualmente. Na década de 1970, ela fora convidada pelo mestre Octávio a caligrafar todos os diplomas oficiais do Jiu-Jitsu, assim como de sua reconhecida academia. Atualmente, Dona Teresinha caligrafa ainda os certificados da FESP, CCJJE e de algumas equipes, como a Lótus. Acreditem, as letras por ela escritas têm vida e são verdadeiros amuletos de sorte para os assíduos, os afastados e até os que já partiram!